sexta-feira, 25 de junho de 2010

A ESPERANÇA NA LAMENTAÇÃO


INTRODUÇÃO

A esperança na lamentação nos leva a refletir sobre os momentos em que o profeta Jeremias em Lm 3.22, 23, 25, 26, mostra a lamúria pela devastação de Jerusalém. Neste livro, Jeremias escreveu uma série de cinco lamentações; a mágoa do profeta jorra como a de um enlutado no sepultamento de um ente querido ou de um amigo íntimo. Durante esse período, a sede do governo estava em Mispá (Jr 40.8). É provável que várias cópias tenham sido feitas, algumas levadas para o Egito e outras enviadas à Babilônia para os exilados memorizarem e cantarem. Nas lamentações, Jeremias reconhece que a tragédia sobre Judá era a manifestação do juízo divino, devido a rebeldia da nação contra Jeová (Lm 1.12; 2.17; 3.37,38), mas relembra também a misericórdia do Senhor (Lm 3.22,23,32).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO PARA ENTENDIMENTO DO LIVRO (Apêndice)

O último capítulo do livro de Jeremias deve ser lido como introdução ao livro de Lamentações. A Septuaginta acrescenta esta introdução: “E aconteceu que, depois de Israel ter sido levado ao cativeiro e Jerusalém ter sido devastada, Jeremias sentou-se, chorando, e lastimou essa lamentação sobre Jerusalém, e disse...”. Ao contrário de nossas bíblias, porém, o AT hebraico não coloca Lamentações imediatamente depois de Jeremias, e sim em um grupo de livros chamados ketûvîm ou escritos, aos quais pertence Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester. Eram registrados em rolos diferentes, porque eram lidos em festas diferentes. Até o dia de hoje, o livro de Lamentações é lido publicamente nas sinagogas do mundo inteiro, em todos os locais onde existem judeus, no nono dia do quarto mês, o dia de jejum que lembra a queda do Templo (Jr 52.6).

O QUE SÃO AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

Lamentações é o nome dado ao segundo livro escrito por Jeremias. O nome deriva-se da tradução latina do termo grego “threnoi”, que significa “alto choro”.
Autoria e data – Ainda que não identifique seu autor, a tradição tem atribuído o livro de Lamentações a Jeremias. O autor do livro, a exemplo do profeta, fora testemunha ocular da queda de Jerusalém e manifestava grande emoção em suas orações a Deus. É provável que o livro tenha sido escrito imediatamente após a destruição de Jerusalém, por volta de 586-585 a.C.
Propósitos e Teologia – O autor reconhecia claramente a veracidade daquilo que os profetas do pré-exílio haviam pregado. O pecado de Judá causara sua queda e a trágica destruição de Jerusalém e do Templo. Entretanto, no meio dessa calamidade, o autor reconhecia a fidelidade e a compaixão do Senhor e apelava a esses atributos divinos. Ele ansiava pelo dia em que Deus restauraria seu favor e se vingaria das nações que haviam atormentado seu povo.
Características Especiais - Duas características especiais pode-se descrever neste livro: (1ª) Enquanto (II Rs 25 e Jr 52) descrevem o evento histórico da destruição de Jerusalém, este livro retrata vividamente as emoções e sentimentos daqueles que realmente experimentaram a catástrofe. (2ª) No centro do livro existe uma das mais belas declarações quanto a fidelidade e a salvação de Deus (Lm 3.21-26). Embora o livro comece com um lamento (Lm 1.1,2), termina com uma declaração de arrependimento e esperança de restauração (Lm 5.16-22).
Visão Panorâmica do Livro – O livro consiste em cinco poemas, dos quais quatro são acrósticos, ou seja, cada versículo começa com uma letra diferente do alfabeto hebraico, na devida ordem alfabética. Essa era uma forma predileta de poesia hebraica, adotada, como auxílio para a memória. A primeira (cap. 1) descreve a devastação de Jerusalém e o lamento do profeta sobre ela, ao clamar a Deus com a alma angustiada. Às vezes, sua lamentação é personificada como se fosse a da própria Jerusalém (Lm 1.12-22). Na segunda lamentação (cap. 2), o profeta descreve a causa dessa devastação como resultado da ira de Deus contra o povo rebelde que se recusou a arrepender-se, ou seja, a Babilônia, nação inimiga de Judá, foi instrumento da ira de divina. O poema seguinte (cap. 3) exorta a nação a lembrar-se que Deus é realmente misericordioso e fiel, e que Ele é bom para
aqueles que nEle esperam. O quarto poema (cap. 4) reitera o tema dos três anteriores. E, no quinto e último poema (cap. 5), após a confissão do pecado e da necessidade de misericórdia de Judá, Jeremias pede que Deus restaure seu povo.

O HOMEM QUE VIU TODAS AS DORES DE JERUSALÉM

Quarenta anos Jeremias foi o porta-voz de Deus para Judá, exortando-os ao arrependimento e advertindo o seu povo sobre os perigos do desvio espiritual (Jr 1.16; 2.19). Ele exerceu o seu ministério até o fim. Cumpriu tudo o que Deus lhe mandou que fizesse. Sua profecia cumpriu-se literalmente: Jerusalém foi devastada, o Templo destruído e quase a totalidade do povo, que não tinha sido morto pela fome e a espada, foi levado cativo para a Babilônia. A situação catastrófica presenciada pelo profeta causou-lhe tremendas dores, expressa através dos cinco poemas que compõem o livro das Lamentações. Nelas, precisamente no capítulo 3, Jeremias compartilha como a invasão de sua terra natal e a perda de todos os que lhe eram caros, o afetaram. No capítulo 3, o autor identifica-se como um indivíduo que experimentou em sua própria vida todo o sofrimento que a nação tinha experimentado: “Eu sou homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3.1). Mas, lamentavelmente, ele foi desacreditado, rejeitado e considerado um traidor, por aconselhar a submissão da nação à Babilônia. Jeremias não viu apenas a pecaminosidade de Judá; ele presenciou o cerco, a invasão estrangeira, o incêndio do templo e da cidade de Jerusalém e viu seus compatriotas serem levados para Babilônia, além da morte de muitos outros. O povo foi levado ao cativeiro em três levas sucessivas. Vejamos:
- Em 606 a.C. Nabucodonosor subjugou Jeoaquim, rei de Judá, que ficou sendo seu servo. Saqueou o templo e levou cativos os membros da família real, inclusive Daniel (Dn 1.1-3,6). A contagem dos setenta anos de exílio começou nessa data (Jr 25.11,12; 29.10).
- Em 597 a.C. Nabucodonosor voltou e levou o rei Joaquim (filho de Jeoaquim) e dez mil judeus para Babilônia, e colocou Zedequias, irmão de Joaquim, como rei em lugar deste (2 Rs 24.10-17; II Cr 36.9,10). Nesta leva foi também o profeta Ezequiel.
- Em 587 a. C. O exército de Nabucodonosor sitiou a cidade de Jerusalém. Um mês depois a cidade foi incendiada e o templo destruído totalmente (Jr 52.6,12). Os que não foram mortos à espada, foram levados cativos. Um remanescente constituído de gente pobre foi deixado na terra, e Gedalias foi nomeado governador sobre eles. Temendo novo ataque dos babilônios, este mesmo remanescente fugiu para o Egito (IIRs 25.1-22; Jr cap. 39,52). Foi nesse período que Jeremias escreveu suas lamentações, e disse: “Eu sou aquele homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3.1).

O LAMENTO É NECESSÁRIO

Quando o lamento possui caráter intercessório ele se torna um instrumento indispensável para aqueles que buscam a misericórdia, a proteção, o consolo e a provisão do Senhor. Foi o que aconteceu com o profeta Jeremias. Ele amava incondicionalmente o seu povo, por isso lamentava. Depois que a cidade de Jerusalém foi destruída, Jeremias foi contemplado com a liberdade de escolha para ir aonde quisesse, mas preferiu ficar com o restante do seu povo. Veja de que forma ele intercede por sua cativa e despojada gente: "Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes. Por que nos rejeitarias totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?" (Lm 5.20,21). Que tal seguir este conselho de Jeremias: "Ponha a boca no pó; talvez assim haja esperança. Porque o Senhor não rejeitará para sempre” (Lm 3.29,31). Jeremias sofreu profundamente por causa da destruição de Jerusalém e da devastação de sua nação. Mas em meio a sua profunda aflição, brilhou um raio de esperança, pois a compaixão de Deus está sempre presente. Jeremias percebeu que somente a misericórdia de Deus evita a destruição total. Por isso ele disse: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22,23). A fidelidade do Senhor é grande, e Jeremias a conhecia por experiência pessoal.

LIÇÕES QUE SÃO APRENDIDAS COM AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

Deus não é o culpado pelo sofrimento do povo - Em suas lamentações, o profeta Jeremias atribuiu ao povo a culpa pela destruição que lhes sobreveio (Lm 1.8,9,14,18,20,22). Como o povo não se arrependeu de seus pecados e de suas iniquidades, veio sobre eles o juízo divino.
A situação trágica de Judá foi conseqüência dos seus próprios pecados -  Dentre os muitos pecados de Judá, destacamos dois: a extrema corrupção, principalmente por parte dos líderes (Jr 26.7-11,16; Lm 4.13) e a confiança do povo em promessas e acordos humanos e políticos, ao invés de confiarem em Deus (Jr 42.14; Lm 4.17).
Deus entregou o seu povo nas mãos dos inimigos - Em suas lamentações, Jeremias diz que o Senhor entregou a nação na mão dos inimigos (Lm 1.14; 2.7). Diversas vezes, Deus levantou nações estrangeiras para castigar o seu povo (Jz 2.14; 3.8; 4.2; 6.1). Isto não significa dizer que Deus tenha abandonado por completo o seu povo, e sim, que essas nações foram meios pelos quais Deus se utilizou para castigá-los e corrigi-los. A Babilônia, por exemplo, foi o instrumento divino para curar o seu povo da idolatria.
Jeremias conclama o povo à oração - Mesmo em meio ao mais terrível sofrimento, o povo deveria derramar o coração e orar ao Senhor (Lm 2.19). Mais do que nunca, a nação carecia do favor divino e, por isso, deveria recorrer a Deus em oração. Isto nos ensina que o crente deve buscar a Deus, em oração, em todos os momentos de sua vida (I Ts 5.17), inclusive em meio ao juízo divino.
O povo deveria queixar-se dos seus próprios pecados - A nação deveria reconhecer que Deus não era culpado por todo aquele sofrimento (Lm 3.39). Muitos costumam culpar ao Senhor pelos males que lhes sobrevém. Mas, de acordo com Jeremias, cada um deve queixar-se dos seus próprios pecados.
Jeremias conclama o povo a voltar-se para o Senhor - Jeremias também convida o povo a fazer uma auto-análise e a voltar-se a Deus (Lm 3.39,40). Depois de reconhecer a sua pecaminosidade, o povo deveria firmar no coração o propósito de buscar ao Senhor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Lamentações diz que não há nenhum lugar como a nossa pátria, especialmente quando esta deixa de existir. O livro mostra a face honesta da oração no meio da tragédia. Lamentações dá ao povo de Deus a liberdade de questionar e, mesmo assim, de experimentar sua presença. Há nesse livro expressões de louvor (Lm 5.19), ações de graças (Lm 3.55-57) e exortações para que o povo reconheça o seu pecado e volte-se ao Senhor (Lm 3.39,40).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

· Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD.
. Lições Bíblicas – CPAD.
. Manual Bíblico de Halley – VIDA.
. Manual Bíblico – VIDA NOVA.
· A Bíblia através dos séculos - CPAD.
· Conheça Melhor o Antigo Testamento - VIDA.
· Jeremias e Lamentações, Introdução e Comentário - VIDA NOVA.


Nenhum comentário:

ANIVERSÁRIO DA SECRETÁRIA DA EBD EM IPSEP - VILA MAURICÉIA

EBD EM IPSEP - VILA MAURICÉIA

ANIVERSÁRIO DA EBD EM IPSEP - VILA MAURICÉIA 2010