INTRODUÇÃO
A Bíblia retrata o profeta como alguém que era aceito nas câmaras do conselho divino, onde Deus “revela o seu segredo” (Am 3.7). O Ministério Profético é um assunto muito relevante para a Igreja do Senhor. Jesus e seus apóstolos fizeram referências a eles, onde havia reconhecimento de sua autoridade.
O INÍCIO DO MINISTÉRIO DOS PROFETAS
Por ser o primeiro profeta nacional (Nm 11.29; Dt 18.18), Moisés tornou-se um modelo para os demais profetas. Foi certamente sob sua influência que Samuel, mais tarde, viria a estabelecer as conhecidas escolas de profetas (ISm 19.18, 20; IIRs 2.3, 5; 4.38; 6.1). A semelhança de Moisés, Jesus, o Filho de Deus, proclamou a Palavra de Deus com coragem e veemência (Dt 18.15, 18; Jo 1.45; 4.19, 29; At 3.22, 23, 7.37).
O PROFETA
Era um porta-voz de Deus que falava em seu nome. Em sua maioria eram homens, mas podiam ser mulheres (Ex 15.20; Jz 4.4; IIRs 22.14) que eram individualmente chamados e ungidos por Deus para o serviço de “emergência”, em contraste com o serviço regular dos sacerdotes, anciãos e reis. Além de serem denominados “profetas” (Hb. Nabi), também recebiam o nome de “videntes” (ro’er), “sentinelas” (tsaphá) ou pastores (ra’ah).
AS FUNÇÕES DOS PROFETAS NO A.T.
As funções dos profetas no A.T. podem ser observadas em três classificações a seguir:
Porta-voz especial de Deus - O termo “profeta” (Hb., nabi; gr., prophetes), significa “falar por” ou representar. Sua tarefa mais importante era agir como embaixadores ou mensageiros divinos, anunciando a vontade de Deus para seu povo, especialmente em época de crise. Eram pregadores da justiça em época de decadência moral e espiritual.
Vidente - O profeta era chamado de “vidente” devido a capacidade recebida por Deus de penetrar no futuro e revelá-lo (Dt 18.21,22).Essa habilidade autenticava sua mensagem como sendo divina, porquanto somente Deus conhece o futuro(Is 46.9,10; Dn 2 e 7; At 15.18).
Professor da lei e da Justiça - Apesar de os sacerdotes e levitas serem normalmente os professores de Israel, os profetas também receberam essa função quando o sacerdócio se degenerou (Lv 10.11; Dt 33.10; Ez 22.26). Quando ensinavam, o contexto era geralmente de julgamento (Is 6.8-10; 28. 9,10).
CARACTERÍSTICAS DO PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO.
Era alguém que tinha estreito relacionamento com DEUS, e que se tornava confidente do Senhor (Am 3.7). O profeta via o mundo e o povo do concerto sob a perspectiva divina, e não segundo o ponto de vista humano.
O profeta, por estar próximo de DEUS, achava-se em harmonia com DEUS, e em simpatia com aquilo que Ele sofria por causa dos pecados do povo. Compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o propósito, vontade e desejos de DEUS. Experimentava as mesmas reações de DEUS. Noutras palavras, o profeta não somente ouvia a voz de DEUS, como também sentia o seu coração (Jr 6.11; 15.16,17; 20.9).
À semelhança de DEUS, o profeta amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia profundas dores (ver O LIVRO DAS LAMENTAÇÕES). Ele almejava para Israel o melhor da parte de DEUS (Ez 18.23). Por isso, suas mensagens continham, não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.
O profeta buscava o sumo bem do povo, i.e., total confiança em DEUS e lealdade a Ele; eis porque advertia contra a confiança na sabedoria, riqueza e poder humanos, e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13,14; Am 6.8). Os profetas continuamente conclamavam o povo a viver à altura de suas obrigações conforme o seu concerto estabelecido com DEUS, para que viesse a receber as bênçãos da redenção.
O profeta tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13,19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8). Não tolerava a crueldade, a imoralidade e a injustiça. O que o povo considerava leve desvio da Lei de DEUS, o profeta interpretava, às vezes, como funesto. Não podia suportar transigência com o mal, complacência, fingimento e desculpas do povo (Jr 6.20; 7.8-15; Am 4.1; 6.1). Compartilhava, mais que qualquer outra pessoa, do amor divino à retidão, e do ódio que o Senhor tem à iniqüidade (cf. Hb 1.9).
O profeta desafiava constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que DEUS revelara na Lei. Permanecia totalmente dedicado ao Senhor; fugia da transigência com o mal e requeria fidelidade integral a DEUS. Aceitava nada menos que a plenitude do reino de DEUS e a sua justiça, manifestadas no povo de DEUS.
O profeta tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27, bem como em restauração e renovação (Jr 33; Ez 37). Os profetas enunciaram grande número de profecias acerca da vinda do Messias
Finalmente, o profeta era, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3-4), perseguido pelos falsos profetas que prediziam paz, prosperidade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de DEUS (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10; cf. Mt 23.29-36; At 7.51-53). Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro era reconhecido como homem de DEUS, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.
HAVIA VÁRIAS CLASSES DE PROFETAS
Os profetas de Israel remontam aos antepassados Abraão, Moisés, Samuel e Davi, que foram denominados ”profetas” (Gn 20.7; Dt 18.15; ISm 3.20; At. 2.29,30).). Moisés foi uma espécie de protótipo dos profetas, prenunciando o último e grande profeta, o Messias, que se levantaria para falar palavras poderosas, autenticadas por obras poderosas e desempenho brilhante (Dt 18.15-22). Considera-se ter sido Samuel aquele que principiou a ordem profética, o primeiro de uma seqüência, durante a monarquia de Israel (IISm 3.1; At 3.24). Essa seqüência não era contínua. Prosseguia, porém, esporadicamente quando o Senhor fazia a designação para esse cargo. Eram profetas da “palavra” e da “escrita”.
Profetas da “palavra” - São profetas que profetizaram, mas que não necessariamente escreveram escritos proféticos. Ex. Gade (IISm 22.5), Aías (IRs 11.29); Semaías (IRs 12.22); Hanani (IICr 16.7), etc.
Profetas da “escrita” - Quase todos os profetas da ”escrita” escreveram depois de terem sido profetas “da palavra”. Todos os livros que pertencem à classe de livros proféticos de Isaías à Malaquias, estão enquadrados dentro da classificação de profetas da “escrita”.
O MINISTÉRIO DOS PROFETAS NO ANTIGO TESTAMENTO
Instruir o povo de Israel – Deus escolheu, preparou e inspirou seus servos, os profetas, para admoestar seu povo. Eles se utilizavam de métodos variados para ensinar (Os 12.10; Hb 1.1). Eram educadores ungidos pelo Senhor para ensinar ao povo a viver em santidade, tornando-lhe conhecida sua revelação e desvendando-lhe as coisas futuras (Nm 12.6; IRs 19.16; Jr 18.18). Eles não hesitavam em enfrentar reis desobedientes, governadores, sacerdotes ou qualquer tipo de liderança que não seguisse a Palavra de Deus (IRs 18.18). Tinham, ainda, como missão: lutar contra a idolatria, zelar pela pureza religiosa, justiça social e fidelidade a Deus. Suas mensagens deveriam ser recebidas integralmente por toda a nação como Palavra de Deus (IICr 20.20).
Anunciar a vinda do Messias (At 3.18,21, 24) – Os profetas do A.T. vaticinaram a vinda do Profeta por excelência. Sua Obra Redentora pode ser encontrada, tipológica e profeticamente, na Lei de Moisés e nos profetas (At 3.24). No texto em apreço, o apóstolo Pedro apresenta o perfil de Cristo no A.T., provando, assim, que os últimos episódios eram o cumprimento das Escrituras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Antigo e no Novo Testamento, o profeta era o porta-voz de Deus. Por meio da influência do ministério profético de Moisés, Samuel fundou as escolas de profetas. Entretanto, todos aguardavam a vinda do Messias, o profeta de Deus às nações. Como bem diz a segunda epístola de Pedro(1.19), é necessário considerar as palavras dos profetas: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração,”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Lições Bíblicas – CPAD
Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD
A Vida de Cristo – CPAD
Simplesmente como Jesus – CPAD
Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica – CPAD
O Novo Dicionário da Bíblia – Vida Nova










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